Entender o que é PCR digital é importante para acompanhar uma das abordagens mais precisas para quantificação de ácidos nucleicos. Também chamada de dPCR, a técnica divide uma amostra em numerosas reações independentes e determina quantas delas apresentam ou não o alvo molecular pesquisado.
Esse princípio permite realizar quantificação absoluta de DNA ou RNA sem depender de uma curva padrão externa, desde que o ensaio seja adequadamente desenvolvido e validado. A PCR digital pode ser aplicada em pesquisa genômica, detecção de variantes de baixa frequência, análise de número de cópias, expressão gênica e outras situações que exigem alta precisão na quantificação molecular.
A Pensabio reúne soluções em LifeScience para diferentes etapas da Biologia Molecular, incluindo sistemas, reagentes e equipamentos para PCR Digital.
O que é PCR digital e para que serve?
PCR digital é uma técnica de amplificação e quantificação de ácidos nucleicos baseada no particionamento da amostra em numerosas pequenas reações independentes. Após a PCR, cada partição é classificada como positiva ou negativa para o alvo investigado.
Segundo o National Institute of Standards and Technology (NIST), a dPCR pode quantificar DNA, RNA e cDNA. O método utiliza partições físicas ou gotículas em emulsão e estima a quantidade inicial do alvo a partir do número de reações positivas e negativas, sem necessidade de curva padrão.
Essa característica diferencia a PCR digital de outros tipos de PCR e faz com que a técnica seja especialmente útil quando o objetivo envolve mensurar pequenas diferenças de concentração ou alvos presentes em baixa abundância.
Para compreender como a dPCR se encaixa entre as diferentes metodologias de amplificação, veja também o conteúdo da Pensabio sobre tipos de PCR.
Como funciona a PCR digital?
A PCR digital funciona dividindo a mistura de reação em milhares de partições, realizando a amplificação separadamente e classificando cada uma como positiva ou negativa. Os resultados são então usados para estimar a concentração inicial do alvo.
De forma simplificada, o processo pode ser compreendido em quatro etapas:
- Preparo da reação. A amostra contendo o ácido nucleico é combinada com primers, reagentes de PCR e, conforme o ensaio, sondas ou corantes fluorescentes;
- Particionamento. A mistura é distribuída entre numerosas unidades independentes, como microcâmaras ou gotículas;
- Amplificação. A PCR ocorre individualmente em cada partição;
- Leitura e análise. As partições são classificadas como positivas ou negativas e os dados são utilizados para calcular a concentração do alvo.
Na modalidade Droplet Digital PCR, ou ddPCR, o particionamento é realizado em gotículas. No sistema QX200 uma reação pode ser separada em aproximadamente 20 mil gotículas antes da amplificação e da leitura individual de cada uma.
Como mais de uma molécula do alvo pode eventualmente estar presente na mesma partição, a estimativa da concentração utiliza modelos estatísticos apropriados, em vez de simplesmente igualar o número de partições positivas ao número de moléculas existentes na amostra.
Qual é a diferença entre PCR digital, qPCR e PCR convencional?
PCR convencional, PCR Quantitativa (qPCR) e PCR digital compartilham o princípio de amplificação de regiões específicas de ácidos nucleicos, mas diferem principalmente na forma de detectar e quantificar o produto.
| Característica | PCR convencional | qPCR | PCR digital |
| Momento da detecção | Após a amplificação | Durante os ciclos | Após a amplificação de cada partição |
| Quantificação | Principalmente qualitativa ou semiquantitativa | Quantitativa | Quantificação absoluta |
| Particionamento | Não | Não | Sim |
| Curva padrão | Não é o foco da técnica | Pode ser necessária para quantificação absoluta | Não requer curva padrão externa |
| Resultado | Presença e análise do produto amplificado | Sinal de fluorescência ao longo dos ciclos | Número de partições positivas e negativas |
| Aplicações de destaque | Amplificação e identificação de alvos | Expressão gênica, quantificação e monitoramento | Baixa abundância, pequenas diferenças e variantes raras |
A qPCR, também chamada de PCR em tempo real, acompanha o aumento da fluorescência durante a reação. A Pensabio explica em seu conteúdo sobre PCR em tempo real que a técnica permite acompanhar a amplificação a cada ciclo e estimar a quantidade de material genético presente na amostra.
Já na dPCR, a informação é obtida após a classificação das partições. Essa diferença metodológica pode proporcionar vantagens em aplicações que demandam grande precisão quantitativa, embora a escolha entre qPCR e dPCR deva considerar o objetivo experimental, a concentração do alvo, o volume de amostras e o desenho do estudo.
Qual é a importância do PCR digital?
A importância do PCR digital está principalmente na capacidade de realizar quantificação absoluta e investigar alvos moleculares em situações nas quais pequenas diferenças podem ser relevantes.
As diretrizes dMIQE, disponíveis pelo NIST e publicadas originalmente na Clinical Chemistry, destacam que a dPCR pode permitir quantificação precisa de ácidos nucleicos e auxiliar na mensuração de pequenas diferenças percentuais e variantes raras. As mesmas diretrizes reforçam que desenho experimental, controles e transparência metodológica continuam sendo fundamentais para produzir resultados robustos.
Entre as características que explicam a relevância da técnica estão:
- Quantificação sem dependência de uma curva padrão externa;
- Possibilidade de analisar alvos presentes em baixa abundância;
- Alta precisão para determinadas comparações quantitativas;
- Aplicabilidade à detecção e quantificação de variantes;
- Possibilidade de estudar alterações no número de cópias;
- Integração com diferentes fluxos de pesquisa molecular.
Isso não significa que a dPCR substitua automaticamente outras metodologias. A qPCR, por exemplo, continua sendo adequada a inúmeras rotinas e pode apresentar vantagens de custo, rendimento e simplicidade dependendo da aplicação.
Quais são as principais aplicações da PCR digital?
As principais aplicações da PCR digital envolvem quantificação de ácidos nucleicos, análise genética, detecção de variantes de baixa frequência, número de cópias, expressão gênica e apoio a fluxos de sequenciamento.
Análise genética e variantes
Na análise genética, a dPCR pode ser utilizada para investigar diferenças específicas em sequências de DNA.
A técnica é particularmente interessante quando uma variante está presente em baixa proporção em relação às sequências de referência. Segundo as diretrizes dMIQE, uma das aplicações relevantes da dPCR é justamente a quantificação de variantes raras.
Variação do número de cópias
Outro uso é a análise de copy number variation, ou CNV. Nesse caso, a técnica permite determinar a quantidade relativa ou absoluta de determinadas regiões genômicas e investigar ganhos ou perdas no número de cópias.
Expressão gênica
Quando o ponto de partida é RNA, uma etapa de transcrição reversa permite gerar cDNA antes ou durante o fluxo de PCR digital, dependendo da metodologia.
A análise pode então ser utilizada para quantificar transcritos e investigar níveis de expressão gênica. A Bio-Rad também inclui expressão gênica e análise de miRNA entre as aplicações descritas para sistemas ddPCR.
Quantificação em fluxos de NGS
A PCR digital também pode fazer parte de determinadas etapas relacionadas ao sequenciamento de nova geração.
Entre as aplicações documentadas para ddPCR estão quantificação de bibliotecas de NGS e avaliação de amostras destinadas a fluxos de sequenciamento.
Pesquisa de alvos em baixa concentração
Quando há poucas cópias do alvo em relação ao material de fundo, o particionamento pode facilitar sua distinção.
Essa propriedade torna a dPCR interessante para pesquisas que envolvem alvos raros ou concentrações muito baixas, desde que amostragem, desenho do ensaio e quantidade de material disponível sejam compatíveis com o objetivo experimental.
Quando escolher PCR digital em vez de qPCR?
A PCR digital tende a ser considerada quando a pesquisa exige quantificação absoluta, investigação de pequenas diferenças, detecção de alvos raros ou análise precisa de número de cópias.
A escolha, porém, não deve partir da ideia de que uma técnica é universalmente superior à outra.
A qPCR pode ser adequada para grandes volumes de análises, estudos de expressão gênica e diferentes aplicações quantitativas. Já a dPCR pode ser vantajosa quando a precisão em baixas concentrações ou a separação entre populações moleculares tem peso maior no objetivo experimental.
Assim, antes de selecionar a metodologia, é importante avaliar:
- Objetivo do experimento;
- Tipo e qualidade da amostra;
- Concentração esperada do alvo;
- Número de amostras;
- Grau de multiplexação necessário;
- Precisão requerida;
- Fluxo de trabalho disponível;
- Reagentes e equipamentos compatíveis.
Quais equipamentos para PCR digital estão disponíveis na Pensabio?
A Pensabio oferece equipamentos para PCR Digital e reagentes voltados a diferentes fluxos de Biologia Molecular. Em seu portfólio atual aparecem sistemas e componentes da tecnologia ddPCR da Bio-Rad, incluindo QX200 e QX One.
Entre as soluções relacionadas especificamente à PCR digital em gotas estão:
QX200 Droplet Digital PCR System
O sistema QX200 utiliza um fluxo no qual a amostra é particionada em gotículas, amplificada e posteriormente lida individualmente. O conjunto inclui gerador de gotículas, leitor e software para quantificação das partições positivas e negativas.
A Pensabio também disponibiliza separadamente o QX200 Droplet Generator, responsável pela geração das gotículas no fluxo de ddPCR.
QX One Droplet Digital PCR System
O QX One integra geração de gotículas, termociclagem e leitura em uma única plataforma automatizada. O sistema oferece detecção em quatro cores e operação integrada para aplicações de ddPCR.
Reagentes para ddPCR
O catálogo da Pensabio inclui ainda reagentes como ddPCR Supermix for EvaGreen e ddPCR Supermix for Probes, direcionados a diferentes estratégias de detecção em PCR digital.
A seleção de equipamentos, química de detecção, ensaio e consumíveis deve considerar as características da aplicação e o fluxo do laboratório. O suporte técnico especializado também é importante para avaliar qual configuração atende melhor aos objetivos experimentais.
PCR digital amplia as possibilidades de análise molecular
Compreender o que é PCR digital ajuda a identificar em quais situações o particionamento e a quantificação absoluta podem agregar valor à pesquisa.
A dPCR não elimina a importância de outros métodos. Ela amplia o conjunto de ferramentas disponíveis para a Biologia Molecular e pode ser especialmente relevante em análise genética, variantes raras, número de cópias, expressão gênica e quantificação de ácidos nucleicos.
A Pensabio reúne tecnologias, reagentes e equipamentos para PCR Digital destinados a diferentes necessidades de pesquisa. A definição da solução mais adequada deve sempre partir do objetivo do experimento, do tipo de amostra e das características analíticas necessárias.
FAQ sobre o que é PCR digital
Além de entender o que é PCR digital, algumas dúvidas ajudam a esclarecer aspectos práticos da técnica e sua utilização no laboratório.
1. PCR digital precisa de curva padrão?
Não. Uma das características da dPCR é permitir a quantificação absoluta sem depender de uma curva padrão externa. Conforme o NIST, a concentração é estimada a partir da distribuição do alvo entre as partições e da quantidade de reações positivas e negativas.
2. Qual é a diferença entre dPCR e ddPCR?
dPCR é o termo geral para PCR digital. ddPCR, ou Droplet Digital PCR, é uma modalidade na qual a amostra é particionada em gotículas. Segundo o NIST, outras plataformas de dPCR podem utilizar câmaras físicas em dispositivos microfluídicos, enquanto a ddPCR emprega gotículas aquosas em uma emulsão.
3. É possível analisar RNA por PCR digital?
Sim. O RNA pode ser analisado por fluxos que incorporam transcrição reversa para convertê-lo em cDNA antes da amplificação ou utilizam metodologias integradas de RT-dPCR.
4. Como os resultados de PCR digital são expressos?
Os sistemas de dPCR classificam as partições como positivas ou negativas e utilizam essas informações para estimar a concentração do alvo. Dependendo da plataforma e do software, os resultados podem ser apresentados como concentração de cópias por unidade de volume ou convertidos para outras medidas relacionadas ao experimento.
5. Quais cuidados são importantes em um experimento de PCR digital?
Qualidade da amostra, desenho de primers e sondas, controles positivos e negativos, número adequado de partições, definição de limiares e documentação das condições experimentais são alguns dos aspectos que precisam ser considerados.
De acordo com as diretrizes dMIQE, experimentos robustos de PCR digital dependem de desenho adequado, controles e descrição transparente dos procedimentos utilizados.