A eletroforese é uma das técnicas mais tradicionais e fundamentais dentro dos laboratórios de análises clínicas e biologia molecular. Por trás de sua aparente simplicidade técnica, ela desempenha um papel crítico no diagnóstico de doenças graves e na identificação genética. Abaixo, respondemos de forma objetiva às 5 principais dúvidas sobre essa metodologia.
A eletroforese é uma técnica laboratorial cujo objetivo é separar e organizar diferentes moléculas (como fragmentos de DNA, RNA ou proteínas) contidas em uma mesma amostra. Essa separação ocorre em um meio gelatinoso ou líquido através da aplicação de uma força elétrica, permitindo que os cientistas e médicos analisem individualmente os componentes da amostra.
A separação acontece porque as moléculas biológicas possuem cargas elétricas naturais. Quando a corrente é ligada, as moléculas migram em direção ao polo oposto à sua carga (cargas negativas vão para o polo positivo e vice-versa).
O gel funciona como uma espécie de “peneira microscópica”: as moléculas menores e mais leves passam facilmente pelos poros e viajam mais rápido, enquanto as moléculas maiores encontram resistência e ficam para trás.
É um exame de sangue que separa as diferentes frações de proteínas presentes no plasma sanguíneo (como a albumina e as globulinas). Ele é uma ferramenta diagnóstica essencial na medicina porque alterações na quantidade ou no padrão dessas frações servem de alerta para identificar doenças no fígado (hepáticas), problemas renais, processos inflamatórios severos e até cânceres hematológicos, sendo o padrão-ouro para o diagnóstico do mieloma múltiplo.
Através do exame chamado eletroforese de hemoglobina. A hemoglobina é a proteína responsável por transportar o oxigênio no sangue. Se uma pessoa herdar alterações genéticas que modificam a estrutura dessa proteína, a eletroforese conseguirá separar a hemoglobina normal das variantes anômalas devido à diferença de carga e tamanho.
É assim que o exame diagnostica precocemente doenças hereditárias como a anemia falciforme e a talassemia.
Na biologia molecular, após o DNA ser extraído e amplificado (geralmente por PCR), a eletroforese é utilizada para separar os fragmentos gerados. Como o resultado final cria um padrão de “bandas” (que funciona como um código de barras genético único para cada indivíduo), a técnica torna-se indispensável para a realização de testes de paternidade, investigações criminais (perícia forense) e mapeamento de mutações hereditárias.