Assegurar a qualidade e a confiabilidade em análises microbiológicas exige rigor metodológico. Nesse cenário, o uso de cepas referência se destaca como elemento central. Estas culturas padronizadas, como as disponibilizadas pela ATCC (American Type Culture Collection), representam a base para validações, controles de qualidade e testes de proficiência em ambientes laboratoriais e industriais.
Mas por que essas cepas são tão essenciais? Elas não somente garantem a reprodutibilidade dos resultados, como também asseguram a rastreabilidade dos métodos utilizados, uma exigência cada vez mais presente nas normativas nacionais e internacionais.
O que são cepas referência?
De forma didática, cepas referência são micro-organismos com características genéticas e fenotípicas bem estabelecidas, utilizadas como padrão para garantir que os testes microbiológicos sejam confiáveis, reprodutíveis e comparáveis entre diferentes laboratórios.
Elas servem como um ponto de partida seguro: ao utilizá-las, é possível avaliar com precisão o desempenho de meios de cultura, kits de ensaio, sistemas automatizados e reagentes utilizados em diversas áreas da microbiologia, como saúde, indústria farmacêutica, cosmética, alimentícia e de saneantes.
A ATCC, referência mundial nesse segmento, fornece essas culturas em diferentes formatos (congeladas, liofilizadas) e com ampla documentação de origem, histórico de subculturas e instruções detalhadas para reativação e uso.
Por que utilizar cepas referência?
O uso de cepas referência é crucial por três principais razões:
Confiabilidade nos resultados
Elas permitem identificar com precisão se um teste está operando nos parâmetros esperados. Com isso, minimiza-se o risco de falsos positivos ou negativos.
Padronização de métodos
Permite que diferentes laboratórios, mesmo em locais distintos, obtenham resultados comparáveis. Isso é especialmente importante em auditorias, certificações e publicações científicas.
Rastreabilidade e conformidade regulatória
Instituições como a Farmacopeia dos Estados Unidos (USP), o Instituto de Padrões Clínicos e de Laboratório (CLSI), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), recomendam ou exigem o uso de cepas referência para validação de métodos e controle de qualidade em diversos testes.
Aplicações das cepas referência na prática laboratorial
As cepas ATCC são amplamente aplicadas em diferentes contextos analíticos, sendo utilizadas como:
- Padrões positivos e negativos em ensaios microbiológicos;
- Organismos indicadores de eficácia antimicrobiana;
- Culturas para validação de métodos analíticos e ensaios de desafio (challenge test);
- Ferramenta de calibração para equipamentos automatizados;
- Componentes essenciais em testes de proficiência interlaboratoriais.
Elas também são fundamentais para avaliar a eficácia de conservantes, realizar doseamentos microbiológicos de antibióticos e estabelecer parâmetros de aceitação para meios de cultura comerciais.
Controle de subculturas: o cuidado com os “passages”
Um ponto crítico no uso das cepas referência está no controle das subculturas — também chamadas de “passagens”. Segundo o capítulo <1117> da USP, uma passagem é qualquer transferência de micro-organismos para novo meio de cultura com crescimento microbiano. Isso inclui desde a ativação do frasco original da ATCC até a preparação das culturas de trabalho.
O uso excessivo de passagens pode gerar mutações espontâneas, perda de características fenotípicas e contaminações cruzadas, comprometendo os resultados e a confiabilidade dos testes. Por isso, a recomendação amplamente aceita é utilizar culturas com no máximo cinco passagens a partir da cepa original da ATCC.
O sistema de “seed lot”: boa prática para manter a integridade das culturas
Para minimizar variações e garantir a consistência entre ensaios, a USP e a CLSI recomendam o uso do sistema “seed lot”. Neste modelo:
- A cepa ATCC original é reativada e utilizada para preparar várias réplicas da cultura estoque (stock), todas dentro da primeira passagem.
- Essas culturas estoque são armazenadas em condições ideais e utilizadas para produzir as culturas de trabalho (working cultures), geralmente mantidas como slants.
- A cada nova rodada de testes, usa-se uma nova cultura de trabalho, mantendo a rastreabilidade e evitando desvios genéticos.
Armazenamento adequado: um fator decisivo para preservar a viabilidade
Outro fator crítico é o armazenamento das culturas. Segundo a USP e a própria ATCC:
- Culturas congeladas devem ser mantidas em freezer a −80 °C.
- Culturas liofilizadas devem ser armazenadas entre 2 °C e 8 °C.
Evitar ciclos de degelo e manter a integridade térmica dos ambientes de armazenamento é fundamental para preservar a viabilidade e o perfil original das cepas.
Importante: em cepas com resistência antimicrobiana plasmidial, recomenda-se atenção redobrada. Algumas podem perder plasmídeos quando armazenadas acima de −60 °C ou subcultivadas repetidamente.
Diferença entre cepas ATCC e “ATCC-derived”
É comum encontrar no mercado o termo “ATCC-derived”, referindo-se a culturas que derivam de uma cepa ATCC, mas que já passaram por ao menos uma ou duas subculturas. Embora possam ser utilizadas em algumas aplicações, não são equivalentes à cepa referência original.
Para garantir rigor e rastreabilidade total, é preferível adquirir cepas diretamente de distribuidores autorizados da ATCC, que sigam as recomendações globais de boas práticas microbiológicas.
Conclusão: excelência começa com a escolha certa
As cepas referência são a espinha dorsal das boas práticas microbiológicas. Sua utilização assegura não somente o controle de qualidade e a validação de métodos, mas também a credibilidade dos dados gerados em qualquer tipo de aplicação analítica.
A ATCC, como principal referência mundial, segue sendo o padrão ouro em fornecimento dessas culturas. No entanto, tão importante quanto escolher a cepa correta é mantê-la adequadamente e seguir as orientações internacionais sobre subculturas, armazenamento e rastreabilidade.
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